Homens armados abriram fogo durante um funeral na Igreja Ortodoxa Grega de São Jorge, no sul do país. Autoridades investigam o caso e ainda não identificaram os responsáveis.

Um ataque a tiros contra uma igreja cristã na Jordânia deixou nove mortos e dezenas de feridos na sexta-feira, 23 de outubro. O crime ocorreu durante um funeral na Igreja Ortodoxa Grega de São Jorge, localizada na vila de Hamoud, na região de Karak, a cerca de 120 quilômetros ao sul da capital, Amã.

O número de mortos foi atualizado no sábado, dia 24, após a confirmação de novas vítimas. Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, pelo menos 34 pessoas ficaram feridas. O balanço mais recente disponível aponta para nove mortos, enquanto as autoridades continuam investigando o caso.

O ataque provocou comoção entre os moradores da região e reacendeu as preocupações com a segurança das comunidades cristãs no Oriente Médio. Até o momento, porém, não há confirmação de que os autores pertençam a uma organização extremista específica ou de que a motivação tenha sido exclusivamente religiosa. 

Tiros durante cerimônia fúnebre

De acordo com relatos de testemunhas e informações divulgadas pelas autoridades, homens armados chegaram ao local e começaram a disparar contra as pessoas reunidas nas proximidades da igreja.

Imagens de câmeras de segurança divulgadas pela televisão estatal jordaniana mostram três suspeitos atirando do lado de fora do templo e avançando em direção à entrada. Testemunhas relataram que os disparos duraram vários minutos, provocando pânico entre os presentes.

Pessoas que participavam do funeral tentaram encontrar abrigo enquanto outras foram atingidas. Em entrevista à agência Reuters, um sobrevivente relatou que um dos atiradores apontou uma arma em sua direção e disparou. Seu filho também foi ferido na perna e precisou de atendimento hospitalar.

As forças de segurança iniciaram buscas pelos responsáveis. Até as últimas informações disponíveis, nenhum suspeito havia sido identificado publicamente ou detido.

Governo jordaniano condena o ataque

O primeiro-ministro da Jordânia, Jafar Hassan, atribuiu o episódio ao extremismo. O governo classificou a ação como um ataque terrorista, enquanto o rei Abdullah II prometeu uma resposta rigorosa contra os responsáveis.

O monarca visitou feridos hospitalizados após o ataque e afirmou que os responsáveis seriam punidos. As autoridades também reforçaram medidas de segurança em diferentes locais do país.

A violência causou preocupação em uma nação conhecida por sua relativa estabilidade em comparação com outros países da região. Embora a Jordânia tenha enfrentado ameaças de grupos extremistas em anos anteriores, ataques dessa natureza contra locais de culto são considerados incomuns no país. 

A comunidade cristã na Jordânia

Os cristãos representam uma minoria da população jordaniana, estimada em aproximadamente 300 mil pessoas em um país com cerca de 11,5 milhões de habitantes. Apesar de serem minoria, as comunidades cristãs fazem parte da história da região há séculos.

A região de Karak abriga comunidades cristãs com raízes históricas profundas. Cristãos e muçulmanos convivem há gerações em diferentes localidades, mantendo relações sociais e comunitárias.

Por isso, além das vidas perdidas, o ataque levanta preocupações sobre a possibilidade de a violência ser usada para provocar divisões entre grupos religiosos. Essa hipótese, entretanto, ainda não foi comprovada pelas investigações.

É importante distinguir a ação de possíveis extremistas da população muçulmana em geral. A responsabilização dos autores deve se basear nas evidências, sem transformar um crime cometido por indivíduos em acusação contra toda uma comunidade religiosa. 

Líderes cristãos pedem oração e condenam a violência

O Patriarcado Ortodoxo Grego de Jerusalém condenou o ataque e manifestou solidariedade às famílias das vítimas. A instituição também expressou confiança de que as autoridades jordanianas atuem para identificar e responsabilizar os envolvidos.

O Conselho Mundial de Igrejas igualmente lamentou as mortes, pediu orações pelos feridos e defendeu a proteção de todos os locais de culto, incluindo igrejas e mesquitas.

Em sua manifestação, a organização ressaltou a importância da convivência pacífica entre cristãos e muçulmanos e afirmou que a violência não deve destruir os laços construídos entre as comunidades ao longo do tempo. 

Um chamado à atenção pela igreja no Oriente Médio

O ataque em Hamoud coloca novamente em evidência a vulnerabilidade de comunidades cristãs em uma região marcada por conflitos, tensões religiosas e ameaças extremistas. Ao mesmo tempo, os fatos disponíveis exigem cautela: a motivação específica dos atiradores ainda não foi esclarecida.

Para a igreja ao redor do mundo, o episódio é motivo de luto, solidariedade e intercessão. As famílias que perderam entes queridos enfrentam uma dor que não termina com o fim dos disparos, enquanto os feridos precisam de cuidados e recuperação.

Também é necessário acompanhar as investigações e cobrar que os responsáveis sejam identificados e julgados. A proteção da liberdade religiosa exige que pessoas de todas as crenças possam se reunir para cultuar, celebrar seus ritos e se despedir de seus familiares sem medo de sofrer violência.

Ore pela igreja na Jordânia. Interceda pelas famílias enlutadas, pela recuperação dos feridos, pela segurança das comunidades cristãs e para que as autoridades esclareçam o crime e responsabilizem os envolvidos.

A violência não pode ser tratada como algo normal, tampouco deve servir de justificativa para alimentar o ódio entre religiões. A resposta precisa incluir justiça, proteção aos inocentes e compromisso com a convivência pacífica.

 

Fontes consultadas

  • Reuters. Reportagem sobre o ataque à igreja na Jordânia, publicada em 23 de outubro de 2026. Acessar reportagem⁠
  • Al Jazeera. At least seven killed after gunmen open fire at church in Jordan. Acessar reportagem⁠
  • Associated Press (AP). Atualização sobre as investigações e as operações jordanianas na Síria, publicada em 26 de outubro de 2026. Acessar reportagem⁠
  • Conselho Mundial de Igrejas. Comunicado sobre a condenação do ataque pelo Patriarcado Ortodoxo Grego de Jerusalém. Acessar comunicado⁠
  • WAFA. Comunicado do Patriarcado Ortodoxo Grego de Jerusalém sobre o ataque na região de Karak. Acessar comunicado⁠
  • Investing.com, com informações atribuídas à Reuters. Relato de sobrevivente do ataque, publicado em 24 de outubro de 2026. Acessar reportagem⁠