“Jesus não nos perguntou se gostaríamos de ir. Ele nos mandou ir.”
Essa frase, repetida por muitos missionários, ecoa com força no cenário atual da igreja brasileira. Apesar do crescimento evangélico no país, o investimento em missões — especialmente transculturais, aquelas que ultrapassam fronteiras geográficas, culturais e religiosas — ainda é mínimo diante da necessidade.
O cenário do investimento em missões
Uma pesquisa divulgada em 2014 revelou que o cristão evangélico de classe média no Brasil investia, em média, menos de R$ 0,30 por mês em missões transculturais. Para efeito de comparação, se cada cristão brasileiro separasse o equivalente a R$ 20 mensais — menos do que o preço de um lanche em redes populares — o alcance missionário se multiplicaria de forma extraordinária.
Segundo o projeto Joshua Project, ainda existem mais de 7.400 povos não alcançados no mundo. São etnias e comunidades inteiras sem acesso ao Evangelho de Cristo, muitas vezes vivendo sob perseguição religiosa, pobreza extrema e ausência de recursos básicos.
Missões que enfrentam a realidade
A missão Doulos, por exemplo, atua hoje em quatro países (Brasil, Paquistão, Índia e Tailândia) e enfrenta cenários de escravidão por dívida, tráfico humano, fome e hostilidade contra cristãos. Esse trabalho exige preparo, envio e sobretudo sustento financeiro constante, algo que muitas vezes falta devido ao baixo engajamento da igreja no Brasil.
Missões não são apenas sobre pregar — elas envolvem cuidar de necessidades reais: alimentação, educação, saúde, apoio psicológico, proteção de crianças e fortalecimento de igrejas locais em regiões vulneráveis.
Por que investir em missões transculturais?
- Alcance dos não alcançados
Há bilhões de pessoas que nunca ouviram falar de Jesus de forma clara. Missões transculturais são a ponte que ultrapassa barreiras linguísticas e culturais para levar esperança. - Justiça e compaixão
Investir em missões é investir em dignidade: crianças libertas da escravidão, famílias atendidas em suas necessidades básicas, comunidades fortalecidas. - Obediência à ordem de Cristo
Missões não são opcionais. Jesus disse: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15). Esse é um chamado coletivo, não restrito a alguns poucos. - Responsabilidade histórica
O Brasil recebeu missionários ao longo de sua história. Agora, chegou a hora de retribuir, tornando-se um país enviador de obreiros preparados.
Como podemos agir?
- Reavaliar prioridades financeiras: pequenas renúncias podem gerar grandes transformações.
- Apoiar missionários e organizações sérias que já atuam em campo.
- Promover ensino missionário nas igrejas, despertando vocações e mobilizando a juventude.
- Orar regularmente por missões — intercessão e sustento caminham juntos.
- Envolver-se ativamente: seja indo, enviando ou contribuindo.
Conclusão
O desafio está diante de nós. Enquanto muitos continuam sem ouvir as Boas Novas, a igreja brasileira precisa despertar para sua responsabilidade. Investir em missões não é apenas doar dinheiro — é obedecer ao chamado de Cristo, participando de um movimento que salva vidas, restaura dignidade e transforma nações.
Mais do que nunca, é tempo de enviarmos.
