Pastor William, que serviu por mais de 25 anos em uma igreja batista no estado de Chin, foi morto por soldados da junta militar após ser acusado de apoiar grupos de resistência.
Um pastor batista foi morto pela junta militar de Mianmar depois de ser preso por soldados na região de Chin, uma área de maioria cristã que tem sido fortemente afetada pelo conflito e pela repressão militar.
O pastor, identificado como Rev. William, era líder da Chungcung Baptist Church e havia servido à congregação por mais de 25 anos. Ele foi preso em 16 de maio de 2026, juntamente com outro cristão identificado como Nam Ceu.
Segundo relatos de organizações que acompanham a situação em Mianmar, os dois foram detidos por soldados da 77ª Divisão de Infantaria enquanto estavam em um abrigo próximo a uma aldeia.
A junta militar acusou os dois de terem ligação com forças de resistência que combatem o regime. Entretanto, segundo os relatos disponíveis, eles foram mortos sem julgamento ou qualquer processo judicial.
Pastor permaneceu no local durante a abordagem
Um dos relatos sobre a prisão chama atenção para o momento da captura.
Quando os soldados chegaram ao local onde o grupo estava, três pessoas conseguiram fugir. William, porém, permaneceu no local, aparentemente acreditando que sua posição como pastor poderia ajudá-lo a evitar a prisão.
Ele acabou sendo levado pelos militares.
A família e a igreja passaram semanas sem informações sobre seu paradeiro. Somente meses depois surgiram informações confirmando que William havia sido morto.
Seu corpo foi posteriormente levado para sua comunidade, onde um culto memorial foi realizado em 26 de agosto.
O pastor deixou esposa e cinco filhos.
Igreja também havia sido destruída
A morte de William aconteceu em um contexto mais amplo de violência contra comunidades cristãs no estado de Chin.
A Chungcung Baptist Church, onde ele serviu durante décadas, havia sido destruída e saqueada em outubro de 2021, depois do golpe militar que mergulhou o país em uma guerra civil.
Desde então, diversas comunidades cristãs da região enfrentam deslocamentos, destruição de propriedades, ataques e restrições impostas pelo conflito.
Isso não significa que toda violência contra cristãos em Mianmar tenha exclusivamente motivação religiosa. O país vive uma guerra civil complexa, envolvendo a junta militar e diferentes grupos armados. No caso de William, a acusação apresentada pelos militares estava relacionada ao suposto apoio à resistência.
Ainda assim, sua morte sem julgamento evidencia a situação de extrema vulnerabilidade enfrentada por cristãos e outras comunidades civis nas regiões controladas ou disputadas pelas forças militares.
A Igreja não pode esquecer
A história do pastor William não deve ser tratada apenas como mais uma notícia sobre a guerra em Mianmar.
Por mais de 25 anos, ele serviu uma comunidade cristã. Sua igreja foi destruída. Ele foi preso. Sua família passou meses sem saber o que havia acontecido. E sua morte ocorreu sem que tivesse a oportunidade de se defender diante de um tribunal.
Enquanto acompanhamos essas histórias, existe uma responsabilidade que permanece para a Igreja em todo o mundo: orar pelos nossos irmãos que sofrem.
A Bíblia nos orienta:
“Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles; e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo.”
Hebreus 13.3
Ore pela esposa e pelos cinco filhos de William.
Ore pela igreja em Chungcung e pelos cristãos que continuam vivendo em meio ao conflito.
Ore para que Deus fortaleça os pastores, líderes e famílias que permanecem em Mianmar.
E ore para que a violência não tenha a última palavra.
Compartilhe esta notícia. A Igreja perseguida precisa ser lembrada, conhecida e apresentada diante de Deus em oração.
