Pastor de uma igreja doméstica em Xi’an estava envolvido em um processo que se arrasta desde 2022. A situação judicial do caso ainda não está totalmente esclarecida.

 

O pastor chinês Lian Xuliang, líder da Church of Abundance, uma igreja doméstica na cidade de Xi’an, província de Shaanxi, foi libertado no dia 5 de setembro de 2026, após passar anos sob custódia das autoridades chinesas.

 

A informação foi divulgada por organizações que acompanham a situação dos cristãos na China. Segundo a ChinaAid, Lian voltou para casa depois de quase quatro anos envolvidos em um processo iniciado com sua prisão, em agosto de 2022.

 

A libertação representa uma mudança importante no caso, mas ainda existem dúvidas sobre a situação jurídica do pastor. Até o momento, não há informações públicas suficientes para afirmar que o processo tenha sido encerrado ou que Lian tenha sido absolvido.

 

Pastor foi preso em 2022

 

Lian Xuliang foi detido em 17 de agosto de 2022, juntamente com seu pai, o pastor Lian Changnian, e a pregadora Fu Juan.

 

Os três estavam ligados à Church of Abundance, uma igreja doméstica que funcionava sem registro oficial do governo chinês.

 

Pouco depois das prisões, as autoridades de Xi’an anunciaram a proibição da igreja, classificando a organização como ilegal.

 

O caso passou a ser acompanhado por organizações internacionais que monitoram a liberdade religiosa e a situação de cristãos presos na China.

 

Entre as acusações apresentadas pelas autoridades estavam alegações de fraude. Organizações de direitos humanos também registraram acusações relacionadas à segurança nacional durante o processo.

 

Longo período de detenção

 

O caso se prolongou por vários anos.

 

Lian Xuliang e os outros dois cristãos passaram por um período de detenção conhecido como “vigilância residencial em local designado”, um sistema utilizado pelas autoridades chinesas para manter determinados suspeitos sob custódia em locais controlados pelo Estado.

 

Organizações que acompanharam o caso relataram que os detidos teriam enfrentado condições severas durante esse período. Entre as alegações estão restrições de alimentação, agressões físicas e limitações no acesso a necessidades básicas.

 

Esses relatos foram apresentados por organizações que acompanham os presos e não foram confirmados de forma independente.

 

Em abril de 2025, Lian Xuliang, seu pai e Fu Juan foram libertados sob fiança, depois de mais de dois anos de detenção.

 

O julgamento ocorreu em 9 de julho de 2025, mas o tribunal não anunciou imediatamente uma sentença.

 

Meses depois, em novembro de 2025, os três foram novamente detidos enquanto aguardavam o andamento do processo.

 

Libertação não significa encerramento do processo

 

A notícia da libertação de Lian Xuliang foi recebida com alívio por organizações que acompanham a perseguição religiosa na China.

 

No entanto, ainda é necessário cuidado ao interpretar o significado da libertação.

 

Até o momento, não há informação pública suficiente para afirmar que Lian foi considerado inocente ou que todas as acusações contra ele foram retiradas. Também permanecem dúvidas sobre a situação de seu pai, Lian Changnian, e da pregadora Fu Juan.

 

Outro ponto que merece atenção é que algumas bases internacionais ainda apresentam informações antigas sobre o caso. A página da Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF), por exemplo, ainda registra Lian como não libertado, aparentemente sem atualização diante das informações divulgadas em setembro de 2026.

 

Igrejas domésticas continuam sob pressão

 

O caso de Lian Xuliang chama atenção para uma questão maior: a situação das igrejas domésticas na China.

 

Cristãos chineses podem participar de comunidades registradas pelo governo, mas grupos que optam por funcionar fora do sistema oficial podem enfrentar diferentes formas de pressão das autoridades.

 

A situação varia de uma região para outra e também de acordo com a igreja e seus líderes. Em alguns casos, as autoridades impõem multas, interrogatórios ou fechamento de locais de culto. Em outros, líderes podem ser presos e processados.

 

Por isso, a libertação de Lian Xuliang não deve ser vista de forma isolada. Ela acontece dentro de um cenário mais amplo de controle estatal sobre comunidades religiosas independentes na China.

 

Igreja é chamada a continuar orando

 

A volta de Lian Xuliang para casa é motivo de gratidão para cristãos que acompanharam seu caso durante esses anos.

 

Ao mesmo tempo, o caso ainda deixa perguntas sem resposta. Qual será o destino definitivo do processo? E qual é a situação atual dos outros cristãos envolvidos?

 

Para a igreja brasileira, esse também é um lembrete de que a perseguição religiosa não acontece apenas quando um cristão é condenado ou permanece preso. Muitos irmãos continuam enfrentando vigilância, restrições, pressão sobre suas igrejas e dificuldades para exercer livremente sua fé.

 

Ore por Lian Xuliang e sua família. Ore também pelo pastor Lian Changnian e por Fu Juan, para que tenham proteção, força e liberdade. Interceda pelas igrejas domésticas chinesas e pelos cristãos que continuam servindo a Cristo mesmo diante da pressão das autoridades.

 

fonte: China Aid